Aplicação do Novo Acordo Ortográfico é obrigatória

No dia 13 de maio, terminou o período de transição de 6 anos para a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90).

O AO90 pretende uma simplificação das regras e uniformização da norma para a língua portuguesa, sendo desejado que todos os países que pertencem à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) adiram a ele.

A WORKSPACE Living Business conversou com uma docente, Ana Dias, para perceber quais as alterações que devemos efetuar a partir deste momento e de que forma está a correr a implementação do AO90 no vários países da CPLP.

Registámos os tópicos desta conversa para nos ajudar a escrever sem dúvidas.

Ana, quais são as principais alterações que podemos observar no AO90?

Com o AO90 podemos registar a entrada de mais 3 letras no alfabeto – k, y e z – letras estas que já utilizávamos em unidades de medida, siglas, nomes de pessoas ou locais (com origem noutras línguas), palavras com origem estrangeira que usamos no dia a dia. (p.e.: kg; WWW; Kafka; Washington; baby-sitter).

Temos também alterações no que se refere à acentuação das palavras, havendo palavras que deixam de ser acentuadas, há a supressão das consoantes mudas c e p e ainda algumas diferenças na hifenização de palavras. A utilização de letra maiúscula inicial também sofre algumas alterações.

Podemos então pedir-lhe que nos dê alguns exemplos?

Claro que sim!

Quanto às consoantes mudas c e p, é bastante fácil a aplicação. Se não dizemos as consoantes, não as escrevemos – p.e.: redação, lecionar, ótimo, receção, ação elétrico, excecional, Egito.

Não temos dúvidas quando escrevemos: pacto, facto, ficção, opção, egípcio – continuamos a escrever o c ou o p antes da consoante seguinte porque o pronunciamos.

Quando há diferentes pronúncias relativamente a estas consoantes, então são admitidas as duas grafias – p.e.: característica/caraterística; conceptual/concetual; sector/setor.

Relativamente à acentuação das palavras, devemos estar bem atentos às novas regras: creem, veem, leem e deem deixam de ter acento circunflexo; a forma do verbo parar “para” e a palavra “pelo” (revestimento dos mamíferos) deixam de ser acentuadas, tendo que perceber a palavra pelo sentido da frase em que se encontra. Palavras como boia, heroico, adeque, averigue, polo ou pera também deixam de ter acento gráfico, mas mantêm a acentuação tónica.

As palavras “pôr” e “pôde” mantêm o acento gráfico.

No que se refere ao hífen, este deixa de se utilizar em várias palavras, tais como: fim de semana, cartão de visita, autoestrada, mandachuva, antirrugas, minissaia e nas formas do verbo haver – hei de e hão de.

Mantemos o hífen em espécies de animais ou plantas (p.e.: couve-flor e bicho-da-seda), quando o prefixo termina com a mesma letra com que se inicia o segundo elemento (p.e.: micro-ondas e inter-regional) ou se o segundo elemento inicia com h ou o (p.e.: anti-higiénico ou auto-observação) e quando o prefixo é pós, pré e pró (p.e: pós-parto, pré-escolar).

Devo ainda referir que deixamos de utilizar a inicial maiúscula nos meses e estações do ano e pontos cardeais – janeiro, fevereiro, primavera, verão, norte sul, sudoeste, ...

Relativamente à implementação do AO90 nos restantes países da CPLP, o que precisamos conhecer?

Devemos saber que, no Brasil, o período de transição termina no final deste ano, sendo obrigatório aplicar o AO90 a partir do dia 1 de janeiro de 2016.

É ainda importante sabermos, por exemplo, que Angola ainda não aprovou o AO90 e que Moçambique não ratificou o mesmo. Nos restantes países, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste, o AO90 foi ratificado pelos respetivos governos mas, além de ainda não ter sido aplicado, as pessoas (incluindo professores) desconhecem as novas regras.

Assim sendo, neste momento ainda não é possível verificar-se a uniformização das normas e regras pretendidas com a implementação do Acordo Ortográfico de 1990.

Para finalizar, havendo ainda alguma dúvida, o que nos sugere para podermos consultar no nosso dia a dia?

Quando surgir alguma dúvida, sugiro que se consultem as seguintes ferramentas: Prontuário da língua portuguesa, da Porto Editora ou o conversor ortográfico que se encontra no seguinte endereço eletrónico: http://www.portoeditora.pt/acordo-ortografico/conversor-texto/.